Hoje eu não consigo levantar e fico enrolando na cama. A chuva não me deixa sair e nem pensar. Não é sono, é medo. Medo da vida? Não seja tão burro e continue. Seja breve, mas delicado. Fofo, extravagante. Vou tentar evoluir para poder pensar melhor e tirar o cobertor. Barreiras que te impedem de ir além, destrua todas. Use as armas, a mente e o pensar. Crie e invente sem desanimar. As primeiras músicas do dia que remetem alegria e ânimo, não bastam. Evolução, hora de começar. Hora de administrar e levantar. Desapegar e prosseguir. O sono continua e a chuva ainda pinga sobre o chão. Aqueles sons que flutuam no silêncio e quebram regras. Eu sento, respiro, fico calmo e bocejo. Bom dia segunda, bom dia rotina.
24 de agosto de 2012
20 de agosto de 2012
Sinto, eu quero, eu posso
Antes de começar, eu gostaria de sentir. Sentir o que é puro e o que é bom. Não é que eu não sinta, mas quero sentir além, andar mais, viajar mais, respirar mais. Quero ir para um lugar distante onde tudo faça mais sentido. Cansei de ficar sentado e esperar. Esperar o que não é meu e deixar de ganhar o que poderia. Venha felicidade, estou com os braços abertos.
Vou começar e vou respirar. O ar tem ficado pesado e minha tensão só aumenta. Cada segundo que passa eu sinto um arrepio maior, uma leveza. Fico com uma agonia intensa, quero sair. Vou me mudar, preciso me mudar, quero mudar.
18 de agosto de 2012
Amor do vem e vai
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| Matheus Carneiro "Gosto de brincar de escrever." Twitter - Facebook |
15 de agosto de 2012
Entre gostos e desgostos
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| Matheus Carneiro "Escrever é a nossa vida." Twitter - Facebook |
Eu gosto dos seus gestos de afeto muito mais do que seus
sons silenciosos. Gosto mais de quando você tenta impor. Prefiro seu sorriso
melado, doce. Eu escolho aquele olhar fechado, querendo me transmitir
mensagens. Será ele um homem de bom gosto? Bem, eu sou um homem de sorte. Não é
sorte, mas também não é azar. Não é maltratar, é cuidar. Dias de inverno e sol.
Àquelas horas de brisa com ar pesado, carregando calor. Eu não penso e nem
repenso, sigo em frente. Eu odeio o que é alto, prefiro o largo. Não gosto da
viagem, mas amo ver. Sim, gosto da vida. Gosto do gosto que ela tem. Começo
enxergar novamente e vejo o que não via.
Sinto o que não sentia e penso o que qualquer um pensaria. Entre nexos e
anexos eu nado.
A eterna ausência #poema001
Eu aguardei com lágrimas e o vento
suavizando o meu instinto aberto
no fumo do cigarro ou na alegria das aves
o surgimento anónimo
no grande cais da vida
desse navio nocturno
que me trazia aquela com lábios evidentes
e possuindo um perfil indubitável,
mulher com dedos religiosos
e braços espirituais...
Aquela mulher-pirâmide
suavizando o meu instinto aberto
no fumo do cigarro ou na alegria das aves
o surgimento anónimo
no grande cais da vida
desse navio nocturno
que me trazia aquela com lábios evidentes
e possuindo um perfil indubitável,
mulher com dedos religiosos
e braços espirituais...
Aquela mulher-pirâmide
com chamas pelo corpo
e gritos silenciosos nas pupilas.
e gritos silenciosos nas pupilas.
14 de agosto de 2012
A maravilha que deve ser escrever um livro
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| David Mourão-Ferreira Portugal, 1927-1996 |
(...) a maravilha que deve ser
escrever um livro: a invenção dentro da memória; a memória dentro da invenção;
e toda essa cavalgada de uma grande fuga, todo esse prodígio de umas
poligâmicas núpcias, secretas e arrebatadas, com a feminina multidão das palavras:
as que se entregam, as que se esquivam; as que é preciso perseguir, seduzir,
ludibriar; as que por fim se deixam capturar, palpar, despir, penetrar e
sorver, assim proporcionado, antes de se evaporarem, as horas supremas de um
amor feliz. Não há matéria mais carnalmente incorpórea; nem outra mais disposta
a por amor ser fecundada.
O amor é um acidente, uma renúncia, um hábito, uma maldição
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| José Eduardo Agualusa |
Eu estava sentada no regaço de uma mulher de cobre, uma escultura de Henry Moore, e Bill debruçou-se sobre mim e beijou-me nos lábios. E de repente eu amava-o. Amava-o e só isso importava. Reparei nas mãos dele, mãos de pianista. Mãos preparadas para o amor. Ainda hoje gosto de lhe ver as mãos enquanto folheia um livro, enquanto lê um jornal. As mãos dele envelheceram, envelheceram a apertar outras mãos, milhares de outras mãos, a jogar golfe, a assinar autógrafos e documentos importantes. Envelheceram, sim, mas continuam belas. Continuam a excitar-me.
Em dias de chuva
Eu sei que você está aí e posso
te ouvir. Sei quando respira fundo ou deixa o ar fluir. Conheço quando toca ou
quando grita pra o mundo. O mundo? Sim, aquele mundo que só existe na sua
cabeça onde outros não entram. Como em dias de chuva que você pensa que existe
uma saída quando na verdade você se prendeu. Está preso naquele sentimento,
naquela dor ou naquele sorriso.
O amor chega em uma hora
Daqui a uma hora ele chega. Não
deu tempo de consertar o esfolado da minha unha e de esfoliar decentemente os
pêlos encravados. Esfolado, esfoliado. Tudo parece música e rima mas é só
porque você chega em uma hora. Tem um carro que passa lá longe, enquanto eu
tento abrir os olhos e encarar esse dia em que você chega. Esse carro não sabe,
mas foram mil anos abrindo os olhos e ouvindo carros e ouvindo ruas e não
ouvindo a sua voz. E agora a sua voz existe e você chega em uma hora. Não estou
pronta. Minha barriga dói. Eu tenho vontade de vomitar. Eu não consigo comer de
tanto medo que eu estou sentindo. Eu quase desmaiei agora de manhã, porque pra
piorar está calor. Não lido bem com calor. Não lido bem com nada que não seja
eu em minha bolha arejada de imaginações.
12 de agosto de 2012
Noite que não me cala
Comecei. Não, espera. Pensei
melhor por um tempo melhor. Calma, eu chego lá. Vou relembrar e adiantar, pois
tudo o que me resta é ir. E a vida? Sim, a vida. Ela e suas surpresas. Também te
seguem? Somos iguais, mas diferentes. Já diziam por aí que esperança não morre.
Espera, ela morre, mas por último certo? E se ela morresse primeiro, o barco
afundaria. Não vou falar mal, mas vou dizer o que te faz bem. Se a verdade te
faz bem, prossigo. Não, eu paro.
11 de agosto de 2012
A vida oblíqua é muito íntima
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| Clarice Lispector |
A vida oblíqua é muito íntima. Não digo mais sobre essa intimidade para não ferir o pensar-sentir com palavras secas. Para deixar esse oblíquo na sua independência desenvolta.
Talvez o refletir te questione a mudar
Olhei para aquela serra mais alta, procurei um lugar para me esconder. O meu medo me consumia, não conseguia continuar sozinho. Foram noites de tristezas e calamidades, onde só meu colchão sabe dizer. O pôr-do-sol me mostrava como eu estava querendo ser feliz. Ah! A felicidade! Eu subi aquela serra, consegui! Abri os meus braços naquele fim de tarde, respirei o mais profundo que pude do mais puro ar que pairava sobre mim! Que sensação ótima! Acabara de descarregar uma tonelada de carga que levava há dias! Já presenciou essa cena alguma vez? Quantas vezes você já se descarregou para a natureza? Reflita-se. Questione-se. Modifique. Muitas vezes, na verdade em quase todas, esquecemos que as coisas mais simples são as mais valiosas.
10 de agosto de 2012
Na poesia 001
Deixa-me seguir para o mar
Mário Quintana
Tenta esquecer-me... Ser lembrado é como
evocar-se um fantasma... Deixa-me ser
o que sou, o que sempre fui, um rio que vai fluindo...
Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
me recamarei de estrelas como um manto real,
me bordarei de nuvens e de asas,
às vezes virão em mim as crianças banhar-se...
Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,
as imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...
toda a tristeza dos rios
é não poderem parar!
Tenta esquecer-me... Ser lembrado é como
evocar-se um fantasma... Deixa-me ser
o que sou, o que sempre fui, um rio que vai fluindo...
Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
me recamarei de estrelas como um manto real,
me bordarei de nuvens e de asas,
às vezes virão em mim as crianças banhar-se...
Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,
as imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...
toda a tristeza dos rios
é não poderem parar!
Faz de conta
[...] fazia de conta que ela era uma mulher azul porque o crepúsculo mais tarde talvez fosse azul, faz de conta que fiava com fios de ouro as sensações, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos, faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta que dela não estava em silêncio alvíssimo escorrendo sangue escarlate, e que ela não estivesse pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz de conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz de conta verde-cintilante, faz de conta que amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, não Lóri mas o seu nome secreto que ela por enquanto ainda não podia usufruir, faz de conta que vivia e não que estivesse morrendo
Alto
Eu não tenho medo de voar. Eu tenho medo de estar fechada num lugar e de ter escolhido estar fechada nesse lugar. Tenho medo porque meus pés sentem o chão mas ele é falso. Meus pés sempre me obrigam a sentir a verdade e eu sou obrigada a dizer a eles que aquele chão não dura e nem é de terra. Tenho medo do absurdo que é sorrir e dizer "guaraná normal e sem gelo, grata" enquanto se quer dizer "que merda é essa de estar voando se não sou a porra dum passarinho?".
9 de agosto de 2012
Nostalgia
"Agora eu decidi voltar no tempo. Sinceramente, gosto do que vivo hoje em muitos aspectos mas em outros, queria poder voltar a esse tempo que agora irei mostrar. Quando aquela velha criança que existe dentro de nós é despertada, mostramos ao públicos sonhos, desejos, vontades, alegrias, mistérios, medos. Deixamos em aberto a nossa vida que por incrível que pareça, às vezes não queremos vive-la. A vontade de voltar no tempo aonde a infância era mais valorizada, voltou à tona. Lembra do seu sorriso quando tinha 5 anos de idade? Ou melhor, lembra das bagunças que você fazia quando tinha 7 anos? Eram tempos aonde o mundo que vivemos hoje não tomava conta. Tínhamos essa capacidade de dominar o nosso planeta. Dominávamos o nosso território.
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